Mise-en-scéne
Conhecemos a artista no seu atelier na Place des Vosges em Paris, há uns anos atrás. Foi uma descoberta tão boa, não foi Marta? A artista dizia-nos que ainda não se tinha rendido às novas tecnologias e ter o trabalho dela exposto num site (ainda) não lhe fazia sentido. Mas agora já tem!
Déborah Choc vem do universo do teatro e por isso as suas telas são cenários onde ela abraça a cor, a narrativa, o diálogo, a poesia, a filosofia e a psicanálise (que ela estudou longamente). As suas pinturas apelam a tantas linguagens diferentes e por vezes díspares. Por um lado a força colocada toda no pincel em jogos de cor abstractos quase intervencionistas e depois as frases lapidares, quase líricas, a acalmarem a raiva do pincel: "nous allons changer le monde" (como se dissesse bem-vindos à minha casa). Joyeuse?
Ainda na Baixa,
He's everywhere I go...
Em Oeiras... não foi fácil fotografar este:
Eu ia jurar que estes não estavam lá ontem...
(perto de Algés)
Diamonds are a girl's best friend?
No MUDE os diamantes foram substituidos por 500 espécies diferentes de sementes. Os cofres fortes do antigo BNU - Banco Nacional Ultramarino, estão abertos ao público e acolhem agora um bem vivo de toda a Humanidade, um valor capital do qual depende a nossa sobrevivência: as sementes.
"Sementes: Valor Capital" em exibição até 20 de Março.
As casas de Manuel Amado
Quarto Interior, 1993
Óleo sobre Tela
Para ver no CAM - Fundação Calouste Gulbenkian, até 27 de Março, na exposição "Casa Comum".
Ou então, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, "Encenações" até 15 de Março. Nesta última achei a obra do artista num registo diferente: ao realismo que estamos habituados acrescem figuras recortadas, num toque surrealista.
O recreio
2009
Óleo sobre tela
114 x 146 cm
O oasis
2010
Óleo sobre tela
65 x 81 cm
Na cavalariça
2009
Óleo sobre tela
81 x 100 cm
A orla da mata
2010
Óleo sobre tela
65 x 100 cm
Outras pinturas a lembrar Edward Hopper (cujo contacto com a pintura deste artista viria, em 1987, a causar-lhe uma forte impressão). Gosto tanto deste tipo de pintura. É como se tivesse espaços em aberto à espera de serem preenchidos, à mercê de cada um. Será que a arte tem mesmo que ser explicada? Catalogada?
Outras Casas (das Histórias Paula Rego)
Desta vez a Casa das Histórias da Paula Rego, em Cascais, que tem até 12 de Junho a exposição: "My Choice" - Obra seleccionadas por Paula Rego na colecção British Council e até 19 de Junho "Os Anos da Proles Wall".
Projecto do Arquitecto Souto Moura.
Big Brother is watching You
“Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”(1984) de George Orwell, escrito em 1948, na era do Pós-Guerra, foi o mote inspirador para os dez grandes painéis da Paula Rego intitulados “Os Anos da Proles Wall” (Proles – termo inventado por Orwell para designar proletariado) que pertencem ao CAM - Fundação Calouste Gulbenkian.
Não se trata de uma ilustração da história, mas como escreveu “Os meus temas favoritos são os “jogos” provocados pelo poder, o domínio e as hierarquias. Dá-me sempre vontade de pôr tudo de pernas para o ar, desalojar a ordem estabelecida, alterar as heroínas e os imbecis.”
É o caso da rapariga, caracterizada de vermelho, não com a faixa da castidade, insígnia da Liga Juvenil Anti-Sexo, mas na aparente alusão ao desejo transgressor de uma boca pintada com baton, ou o caso de Winston Smith, o protagonista da história auto desigando como homem morto por crimepensar, surge representado como um urso em queda, etc.
Acho, cada vez mais, que vale mesmo a pena, fazer as visitas guiadas aos museus.
Bibliografia:
Desdobrável da Exposição, Ana Ruivo
Consultant, Casa das Histórias Paula Rego
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